Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida,
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…
Para mim é sempre ontem
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(…) Não perdi minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
— Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)
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